5th jun
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Gero – Águas Termais!

Olá pessoal, estamos de volta no Comida Conecta e o post de hoje é destinado a cidade de Gero (pronuncia-se Guero), na província de Gifu no Japão! Para contextualizar aonde raios fica isso, estamos falando da região de Tokai, área central do país.

Por que fomos parar em Gero?

Citamos já que esta região tem um impacto histórico forte no Japão em outro post, mas Gero sempre é associada a turismo e uma atração: águas termais, chamada de Onsen. Sim, água quente que brota da terra devido a aquecimento vulcanico! Estas “fontes” normalmente carregam na água diversos benefícios para a saúde, sendo tratamento para disfunções motoras, reumatismo, circulação e até recuperação de acidentes.

Gero é uma das três “onsens” mais famosas do Japão, junto a Kusatsu e Arima.

A cidade é cortada pelo rio Hida gerando paisagens espetaculares no meio das montanhas cortadas por canions e barragens. Então é natural que a cidade tenha uma forte atuação no turismo o ano inteiro (lembrando que neva bastante em Gero no inverno).

Antes de falar mais de comida, uma pequeno parênteses sobre aonde ficamos. Tivemos a chance de ficar pouco tempo devido a pandemia e naturais restrições de circulação, mas conhecemos o Bosenkan, um tradicional hotel da cidade que nasceu como ryokan em 1818.

1818, certeza?

Sim, estamos falando de um lugar que está em atividade há mais de DUZENTOS anos! Para explicar melhor, um ryokan é uma hospedaria, um pouco diferente do conceito de hotel moderno ocidental.

Quartos com tatami, decoração tradicional, portas de papel de arroz…Imaginou? Parece meio clichê estilo “Último Samurai”, mas é uma experiência excelente!

Deve estar se perguntando da comida né?

A área de Gero é famosa também pelo Hida-gyu, ou gado de Hida, conhecido pela maciez da carne e famoso mundialmente junto a outras raças premium de corte japonês como o Kobe-gyu e Matsuzaka-gyu. (rankeados pelo grau de “marmorização” de gordura, em cinco níveis, de A-1 a A-5). Então….por que não!?

Churrasco na mesa? Ahn?

O Japão criou uma modalidade para grelhar carnes, seja com carvão ou chama a gás (yakiniku, literalmente carne grelhada) em que você prepara fatias normalmente finas de carne junto com aperitivos e acompanhamentos, na mesa mesmo.

Aaaaa, mas não tem aquele bifão?

Ter tem, mas lembre, estamos no Japão e carne é razoavelmente cara (evitando ao máximo o desperdício maximizando a qualidade ao máximo) e , o que não impede que peça um “steak” ou vá nas famosas steakhouses.

Definitivamente yakiniku é uma experiência divertida por que todos tem a chance de preparar seus cortes à sua preferência, sendo uma opção para grupos de amigos se divertirem juntos (antes que você possa perguntar, sim, você sai do restaurante levemente defumado…=D)

Bem, quem gosta de carne, não gosta apenas de churrasco, certo? Visitamos depois o Boro, um restaurante-bar de dardos totalmente focado em motos de estrada e hamburgers! Nem sabíamos na realidade deste fato até chegarmos lá.

Eric Clapton na caixa de som, 10 motos espalhadas, mesa grande coletiva e hamburgers, e dois alvos de dardos, tem como dar errado? Na nossa humilde opinião, não.

“Quartinho”, uma instalação em frente ao Boro com moto + poltrona + vitrola para relaxar

Caramba, mas cade os lámens, a comida japa mesmo!? Muita Calma crianças!

Visitamos o Toan, pertinho de onde nos hospedamos para jantar num dia chuvoso (aqueles de maratona de netflix sabe? que não dá vontade de sair do cobertor?). Lámen e shorompou!

Ai gente, não dá para pronunciar esses pratos…Shô Rom Pô!

Chama de bolinho, guioza no vapor, dumplings. Fato é que a massa tem que ser beeem fininha e esse tipo não passa na chapa normalmente vindo com um recheio fumegante e suculento. Clara influência chinesa, o shorompô vem em pequenas bandejas de bambu furadas para o vapor passar. Simplesmente deliciosos! (provamos os clássicos de camarão, vieira e carne de porco)

Caramba, não terminou?

Como experimentamos o hamburger, arriscamos também uma pedida europeia no RigoloXRigolo, assinada por um chefe japonês que estudou em Osaka culinária francesa e italiana. Por sorte, apenas nós no restaurante.

Uma entrada, uma salada, uma taça de vinho, spaghetti a bolognesa com cogumelos porcini e um lombo assado com vegetais grelhados numa redução de vinagre balsâmico.


Eeeee saudade da cozinha da casa da vó!

O que normalmente você pode esperar no Japão, quando se trata de culinária ocidental é algo razoavelmente mais caro, porções menores com releituras para adaptar ao sabor regional (uso de algas, mais frutos do mar, pouco uso de manteiga ou queijos gordurosos). Aqui? Esquece, tava beeem italiano o rolê! Sublime!


Mas tudo e vocês esqueceram do sushizão?

Aaaaaaaa, não.
Fechamos com chave de ouro este post com o Tsutaya, puramente recomendado por aplicativos e resenhas online (sim, de vez em quando dá muita sorte confiar no google para restaurantes). Primeira curiosidade: o nome do restaurante é da familia da MÃE do sushiman, chamado de itomae-san, literalmente aquele que fica em frente a tábua de corte.

Depois que novamente tivemos o restaurante ao nosso dispor, fomos bem cedinho e pedimos o “omakase” (escolha do chefe). Parece óbvio, mas restaurantes de sushi (sushi-ya), servem muitos tipos de sushi, mas apenas sushi. (não espere nem pratos quentes para acompanhar, talvez um missoshiro ou caldo leve para limpar o paladar).

gente, provavelmente foi o maior camarão que já provamos na vida…

Dois tipos de ovas: ikura, laranja e bem grande e hazunoko, de arenque, amarelada e mais firme. Dois cortes de barriga de atum (chutoro, beeem gorduroso e maguro, bem vermelho, quase roxo), caranguejo fresco, lula, salmão, robalo e ouriço.

Um soco na cara de sabores! todos complexos, nada simples de mastigar duas vezes e engolir. Um deleite de poucas peças que pessoalmente provamos até fechando os olhos para lembrar para sempre do sabor.

Terminamos com o dono do restaurante pedindo um comentário escrito (em português mesmo!) no caderninho dele de estrangeiros. Antes sisudo e fechado, talvez com receio de estrangeiros, fechamos o dia com um senhor que tem mais de 50 anos de experiência APENAS EM SUSHI, rindo, agradecendo e surpreso por estar bem rankeado nos modernos aplicativos de restaurantes.

Entenderam por que criamos este espaço?

Pra terminar, link do vídeo no nosso canal, assiste aí, comente, compartilhe, mande um pedido!


A comida gera conexões que ultrapassam idade, criação, idioma e geram lembranças tão profundas que passam de geração para geração.

Até a próxima pessoal!

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