16th maio
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Gifu – Região de Tokai!

Olá Pessoal! Estamos de volta explorando um pouco mais do Japão no Comida Conecta! Fomos conhecer a cidade de Gifu, cuja provincia leva o mesmo nome. Embora existam alguns pratos típicos da região (Ayu, Takayama Lamen, Hida-Gyu) vamos passar hoje um pouquinho também pelas conexões históricas deste lugar!          

Recentemente assistimos no Netflix o “Age of Samurai – Battle for Japan” (vale a pena assistir!) que retrata uma parte do período chamado de Sengoku Jidai, ou em tradução livre, a “era dos estados beligerantes”, famosa por “forjar” a estrutura do Japão moderno através dos pais da unificação nipônica: Toyotomi Hideyoshi, Tokugawa Ieyasu e no caso de hoje, Oda Nobunaga.

O lance histórico é o seguinte: a região central do Japão (Chubu) teve um papel importante estratégico na consolidação de poder desta época e em especial a área de Tokai (Aichi, Mie e Gifu) conta com castelos importantes deste período. Moramos em Aichi e Gifu é aqui do lado!

Tá e a comida entra aonde?

Só começa imaginando o que seria jantar num castelo de 5 andares sem elevador com escadas de madeira em 60º de inclinação no ano de 1550! No castelo de Gifu, construído inicialmente em 1200, foi centro de operações de Oda Nobunaga.

E aqui vem a parte curiosa: ele foi notadamente um líder interessado no exterior, especialmente na Europa (sua cultura, povo e mercadorias): tanto que é registrado que o lusitano Luis Fróis foi recebido neste castelo e servido pelo próprio Nobunaga em um banquete como sinal de respeito e cordialidade!

E o que raios culinária japonesa tem a ver com Portugal…?

Polêmico mas….tempurá é 100% Japonês?

Fatos e documentos sugerem que não! Existe documentação suficiente disponível online que mostra que os mesmos lusitanos que trouxeram o cristianismo ao Japão trouxeram uma receita de vagens e vegetais empanados para comer durante a quaresma, período que cristãos praticantes evitam comer carne em penitência (chamada por muitos em outras épocas de “tempora”).

O cristianismo não vingou no Japão, as eles aproveitaram para fazer tempurá de tudo quanto é coisa! Bacana né?

Pronto, voltamos para Gifu!

Para aproveitar a região passamos o dia visitando o castelo via “bondinho” e comer algumas coisinhas! Não provamos nenhum tempurá, mas almoçamos um clássico da baixa gastronomia japonesa: Okonomiyaki.

Okono QUÊ!?

Vamos lá, por partes. Okonomiyaki significa literalmente “algo ao seu gosto frito”. A receita “normal” conta com uma massa de panqueca (ovo, farinha e água, sem leite) misturada com repolho cortado beem fino. Você joga tudo isso numa chapa quente e monta uma “base”.

Aí começa a bagunça: vale colocar bacon, ovo frito, raspas de peixe seco e até yakissoba em cima. Aliás, todas estas opções são encontradas nos restaurantes. Conservas de repolho apimentada (kimuchi), cebolinha, camarão (fresco ou seco), lula são outras opções encontradas.

Pra fechar o rolê? Molho agridoce (mistura de barbecue com worcestershire), maionese e algas secas para terminar.

Pra matar a sobremesa, encontramos uma loja super simples e minimalista de um doce típico japonês: Daifuku (大福). Quem visita regularmente bairros tipicamente japoneses já viu o Ichigo Daifuku (grande sorte de morango).

A Benzaiten é uma loja especializada neste tipo de doce, que consiste em uma bolsa de arroz moti (quase uma gelatina) recheada com uma fruta. Normalmente se encontra dentro uma pasta de feijão azuki, de coloração bem vermelha! (sim crianças, feijão e arroz tem versões doces no Japão!)



Definitivamente sutil! Como todo Wagashi (doce tradicional japonês), não é doce em excesso, usado muitas vezes nas tradicionais cerimônias de chá, feito para contrapor normalmente o amargor da bebida.

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Olha, Gifu não está na preferências de 9 entre 10 turistas brasileiros que querem vir ao Japão, com certeza! Mas é um destino cheio de conexões históricas com influências claras e fortes da culinária europeia aqui.

Nossa próxima jornada vai para as montanhas de Gifu, nos vales, cânions e endereço de uma das mais famosas cidades termais do país inteiro.
Até a próxima pessoal!

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