20th set

Comida é muito mais que comida

Olá pessoal do Comida Conecta!
Hoje estaremos falando um pouco sobre uma experiência vivida recentemente. (por mim mesmo!)
Pouco tempo atrás tive o prazer de retribuir gentilezas: Minha esposa tem família japonesa (meus sogros chegaram ao Brasil na década de 1970) e seus tios, primas, marido e filho passaram 3 semanas no Brasil.

Falei em retribuição pois visitei duas vezes o Japão (que me conhece sabe minha relação com o país, cultura, idioma e culinária local) e na última vez em 2015, fiquei hospedado na casa de uma das primas.

Nossa visita, há três anos atrás, foi uma experiência única: ir ao outro lado do mundo, hospedar-se na casa de outra pessoa, sentir-se completamente à vontade e conhecer uma das maiores cidades do mundo através dos olhos, ouvidos e o mais importante, o estomago de moradores locais.

Então, quando todos chegaram, me senti na obrigação de oferecer o melhor (em termos culinários pelo menos) que poderia a eles. As duas primas e o esposo de uma delas já tinham vindo ao Brasil, tendo grande carinho pelo nosso país.

Mesmo falando normalmente de comida, a constatação de que “comida é mais que comida” parte da mera observação de que para explicar basicamente qualquer coisa sobre culinária (não só brasileira), você acaba explicando história, costumes, tradições, receitas, sabores e verbetes únicos muitas vezes intraduzíveis.

Fonte: Maiko Miyazawa

Como explicar a um japonês que ele estava com saudade de comer algo no Brasil? Levá-lo (japonês ou qualquer estrangeiro) a um mercado de frutas frescas para comer acerola fresca?

Com eles, fizemos uma viagem a Porto de Galinhas. Note, sou onívoro e fã de culinária nordestina e nortista. Durante 4 dias, explicamos não só acerola como: Aratu, Moqueca, Queijo Coalho, Cajá, Graviola, Mel de Engenho (ou melaço de cana), Caipirinha, Carne Seca, Farinha de Mandioca, Macaxeira Frita, Açaí, Carne de Sol, Tapioca, Manteiga de Garrafa e outras coisas mais.

É muito mais do que Comida. É a história do seu país, da cultura, do seu idioma (que tem três palavras para descrever o mesmo tubérculo conhecido como Mandioca, Aipim ou Macaxeira), das suas memórias infantis (receitas da sua avó, da sua mãe ou das suas receitas), da dimensão geográfica da onde você vive.

Fonte: Maiko Miyazawa

Por que usamos o Conecta? Por que é moderno, descolado e para frentex? Nopes.

Não é condição única da comida gerar conexões, mas ela gera sim momentos únicos, novos sabores, riso, alegria, embriaguez (por quê não, se de maneira saudável) e saudade. Os nossos sentidos geram essa sensação.
Lembra daquela vista? Poxa, aquele show ao vivo! Você já viu algum tecido tão suave como aquele? Caramba você está usando meu perfume favorito! Ou… Nada supera aquele sabor.

Fonte: Maiko Miyazawa

Verdade é que algumas vezes, experimentamos algo que não é do nosso país e adoramos, mas ao mesmo tempo, vemos a reação de algum local “Mas você gosta DISSO?”. Pare um momento para pensar:

O você ofereceria para um estrangeiro no Brasil?

A maioria poderia facilmente elencar: Pastel, coxinha, caldo de cana, feijoada, churrasco e tantas outras receitas maravilhosas.
Agora, existem uma série de outras receitas, igualmente importantes na culinária brasileira que talvez passariam despercebidas: Dobradinha, Açai sem açucar com camarão seco, um chimarrão amargo fervendo em cuia tradicional gaúcha, arroz com pequi, um tradicional barreado, vatapá ou caruru.

Fonte: Maiko Miyazawa

Entende? Conhecer um estrangeiro que adora esfiha do Habib’s (sim, aquela mesma!) é algo quase engraçado, até você perceber brasileiros que moram no exterior que realmente sentem SAUDADE de esfiha. O mesmo vale para aquele hot dog monstro da estação de trem, o dogão com duas salsichas pensadão com purê de batata e batata palha.

Fonte: Maiko Miyazawa

Viu?
É muito mais que comida. É memória, lembrança, identidade, cartão de visitas, muitas vezes emprego quando você mora fora, são conexões feitas a mesa, na rua ou em pleno mar, mas degustando algo junto. Isso faz você tentar reproduzir sabores, que obviamente não são captuados em imagens e infelizmente nossa lingua e papilas não vem com um cartão SD ou pen drive para lembrarmos.

Este fato faz você pensar a respeito da sua própria rotina ou realidade. Se imagina sem comer arroz e feijão ou até um bife por um ano? (imagine, é um ótimo exercício para se pensar sobre hábitos). Pense em tudo que há em abundância no seu país e pense num lugar distante e tente imaginar como seria viver lá.

Fonte: Maiko Miyazawa

Até a próxima!

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