7th mar

Comida Artesanal

Oi pessoal!
Queria trazer este post para falar de quem FAZ comida: produtores artesanais, makers, cultivadores, gourmets (ou não). Não importa, usei aqui o termo produtores artesanais para trazer a tona a segunda palavra. Artesanal é aquilo que (de maneira mais ampla) é feito pelo artesão, aquilo que é feito a mão, com grau de especialização sem ter escala industrial. Ok, back to food.

Artesanal, para mim pelo menos, é aquilo feito sim sem escala industrial (processos, pasteurização, conservantes, etc…), mas com um grau de atenção rigoroso, em quantidades menores e com essa dedicação do “artesão”. O artesão na cozinha aqui é você, sua mãe fazendo a receita de família, a moça que tem um emprego e vende algo para complementar a renda, a quituteira que faz bem casados em casa ou simplesmente alguém apaixonado por comida.

Hmmm, de quem mesmo vamos falar hoje?

Então, como o nosso propósito é promover conexões, traremos hoje 3 histórias de produtores artesanais de brownies, alfajores e geléias. (coincidência serem de doces, podemos fazer um post de coisas salgadas também!).

Começaremos com o Hernan Ruggero e a DeLeite Alfajores Artesanais. Ele é argentino e mora no Brasil já há alguns anos, trabalhando com comunicação e nos apresentou sua proposta através de uma amiga em comum. Primeira parte: o Hernan é porteño (natural de Buenos Aires), e antes que qualquer pessoa possa pensar na nossa rivalidade histórica com os “hermanos”, não existe um motivo no mundo que me leve a desgostar qualquer argentino ou porteño. E pelo que ele me contou (aproveitando um almoço por sinal) é que gosta de sabor, que gosta da comida. Então pôs o seu melhor numa receita emblemática para qualquer argentino: o alfajor.

Vejam, não estamos falando da receita mais “comum” (igualmente gostosa, mas isso não vem ao caso), coberta de chocolate (sem disputar preferências, eu gosto também do alfajor da Havanna), mas sim de uma receita que leva o Hernan de volta para casa e mostra parte da sua identidade para brasileiros.

Entendem o lance do artesanal? Por sinal, ele usa doce de leite importado (ou local do ponto de vista dele =D) e faz embalagens pequenas de 3 ou 6 unidades. Preciso afirmar que é super gostoso e equilibrado, sem ficar muito doce. Notem que além de um fornecedor, o Hernan é uma pessoa que espero contar por aqui em outros momentos (conexão por comida: check)

Aqui embaixo ele conta um pouco mais dele e desta iniciativa:

Eu e meu namorado tivemos a ideia de tentar fazer alfajores numa tarde de outubro.

Porque pensamos nisso? Por minha causa.  Argentino, morando no Brasil há 4 anos, com saudade de comer aquele alfajor recheado de doce de leite tipicamente argentino.

Na Argentina não é muito comum fazer os alfajores em casa, pois você encontra facilmente em qualquer quiosque ou mercado para comprar, mas como somos um casal que gosta de cozinhar e experimentar coisa novas, e temos uma boa mão para cozinhar, decidimos tentar. Pegamos uma receita no Youtube. Faltava mais da metade das coisas para fazer a receita, mas, não perdemos as esperanças. Depois de uns dias tínhamos comparado todos os ingredientes e até conseguimos o famoso doce de leite argentino LaSerenisima.

 

Agora era o momento de “manos a la obra” como diríamos no meu país. Começamos misturando os ingredientes como indicava na receita e esticamos a massa para cortar as tampinhas e colocar no forno. Pronto! Agora só faltava rechear e passar pelo coco ralado.

Quando experimentamos o primeiro alfajor feito pela gente, ai bateu a saudade de verdade, daquela massa caseira, quentinha e ainda recheada com muito doce de leite e coco, com a mistura das três coisas pareciam um creme de doce incrível. Sem brincadeira.

A partir dessa mesma fornada cada um começou a levar no trabalho para vender e o pessoal amou.

E assim começou nosso empreendimento de alfajores artesanais DeLeite.

Continuando!

A Alessandra Minas (que na verdade eu nunca chamo assim, pois me foi apresentada simplesmente como Lexy), também foi do mercado de comunicação e decidiu se dedicar a comida criando a Lex’Rock Bakery, que começou com brownies artesanais e evoluiu para outras receitas. Além de ser uma fã incondicional do David Bowie, amar gatos e Londres, ela decidiu cursar gastronomia (depois de se formar em publicidade) para se aprofundar no que na minha opinião é uma paixão: Comida. Sério, eu já pedi os brownies (e biscoitos também) dela várias vezes: para comer em casa, dar de presente, ser lembrancinha de casamentos… São ótimos, e ficam melhores depois que você conversa com a Lexy. Sabe? A estória das pessoas faz ficar mais gostoso. Abaixo é um relato dela da onde nasceu a Bakery:

“Oi, sou Lexy.

Durante um bom tempo eu achei que não levava jeito algum para a cozinha. Não fui aquela criança que subia em um banquinho para ajudar a avó a mexer a panela. Acredite, existem pessoas como eu que não nasceram com um dom de outro mundo. No entanto, ter minha mãe sempre em casa cozinhando me trouxe inúmeras referências e um paladar aguçado desde muito cedo. Bem aos poucos, meu interesse foi crescendo como quem escala uma montanha sem cordas de segurança. Primeiro com o arroz de todo dia.

Com meus 20 e pouquíssimos anos eu já morava sozinha e precisava me virar para economizar, não depender dos industrializados e do almoço ruim do kilo perto da agência de publicidade onde trabalhava. Depois, logo me envolvi com alguns doces, com aquela mágica dos ovos com açúcar, farinha e fermento. Com o passar do tempo fui entendendo que meu prazer na vida podia estar ali, a algumas assadeiras de distância. Percebi então e com toda a surpresa que tinha aprendido muitas coisas só de olhar minha mãe fazer.

 

Fui experimentando, fui lendo sobre, fui me apaixonando por cada matemática e química envolvidas. Comecei fazendo brownies pra vender pro pessoal da minha sala na faculdade. Queria viajar com a minha grana pela primeira vez. A receita daquela época era infinitamente diferente da que faço hoje, mas o pessoal parecia gostar e de receita em receita fui para Buenos Aires em um Carnaval. Lembro que meu namorado um tempo depois me deu um conjunto de assadeiras como incentivo (eu as uso até hoje) para que eu não parasse de experimentar. Ele parecia acreditar em mim muito antes de eu mesma.

 

Mas com aquela vida de agência, principalmente depois que me formei, disposição nenhuma para pensar fora daquela enorme caixa, para criar algo novo pra mim (por mais irônico que isso possa parecer). Até que depois de meses e meses infeliz, percebi que se eu não tomasse o volante da minha própria vida de verdade, que eu sempre seria mais uma, levada por aquela correnteza sem propósito, me afogando em vontades que nunca seriam realizadas.

 

Assim, há 5 anos nasceu a minha Lex’Rock Bakery com a certeza de que a liberdade em poder me reinventar da maneira como eu quisesse, fazendo aquilo que eu de fato acredito vale muito mais do que uma mesa de escritório e de ter algum dinheiro.

 

Eu me permiti amadurecer, me ouvir e seguir em frente com o que muitos me disseram que era não somente uma bobagem como uma tremenda loucura. Não paro de estudar, de ler, de tentar. Sei que ainda não cheguei “lá”. O caminho nem sempre é bonito, muito menos fácil, mas no fundo sei o enorme valor de todas as coisas e pessoas que já conquistei.”

Por fim, a Fruta+Açúcar é uma marca de geleias artesanais, feita apenas com estes dois ingredientes mesmo. Essa iniciativa nasceu na realidade por causa da crise financeira e necessidade de ter uma fonte de receita familiar. A inspiração, provavelmente como as duas iniciativas acima, nasceu pela vontade de comer e interesse por comida. Fogão de casa, frutas frescas, feita em família.

Okay, quem faz?

Eu mesmo: o Pedro. Quem me conhece pessoalmente e acompanha minimamente o blog sabe que comida é algo muito forte na minha vida. Pensei junto com meus pais e esposa uma maneira de empreender na crise usando o que tínhamos de melhor: paixão por comer. Poderíamos ter arriscado em inúmeras outras áreas ou produtos da culinária, mas a primeira coisa que cruzou minha cabeça foram geléias (embora minha mãe quisesse ter começado com sopas, caldos e chutneys). Receitas? Teste e erro, com mais de 12 frutas. Tudo feito de maneira artesanal.

Nada de conservantes artificiais. Fruta e Açúcar mesmo. E só. A, claro, horas de fogão e carinho (não é clichê não, experimente cozinhar de mau humor…). Não investimos em loja online ou lotes grandes, apostamos na mais pura cara de pau para ir oferecendo uma a uma, fruta a fruta para quem nos conhece. E lá se vão mais de 800 potinhos.

Tivemos clientes que nos pediram frutas diferentes como maracujá, carambola, damasco. Nem sempre dá certo fazer, e creio que parte da alegria reside aí. A incerteza pode ser angustiante, mas quem faz, quem é artesão é antes curioso. Logo em seguida aprende a ser persistente e destemido.

Por que a gente continua fazendo? Claro, isso dá dinheiro (não venho aqui falar de propósito ou empreendendorismo ok? pelo menos hoje não), mas a gente realmente gosta de comida, se diverte fazendo e escuta das pessoas que é gostoso. Isso gera uma sensação incomparável, seja na mesa, na cozinha ou no escritório. Fazer algo para o outro e ter um reconhecimento espontâneo é algo difícil de comparar.

Não tenho a menor ideia se esta iniciativa pode sustentar minha vida financeiramente, mas a quantidade de conexões promovidas por ela e as experiências junto ao fogão, aos vendedores de frutas, ao embalar e aos clientes é simplesmente gratificante.

Continuamos por aqui: Se houver alguma indicação de comida artesanal, indica aqui, teremos o grande prazer de conversar. Em breve a gente volta para mais um post dando a volta ao mundo. Espero que tenham gostado!

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