27th May
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25 de Março

Hoje vamos falar de culinária árabe na 25 de Março. A data que dá nome a rua é homenagem a Constituição Brasileira de 1824, mas na verdade, a maioria das pessoas conhece o lugar como polo de compras em São Paulo, para basicamente qualquer coisa: moda, tecelagem/aviamentos/acessórios, “inutilidades eletrônicas” como papa bolinha de roupas gastas e raquetes elétricas para matar mosquito (mais sobre a história mesmo do lugar você acha aqui).

Bem, o bairro respira comércio, há pelo menos uns 110 anos, principalmente devido a imigrantes (libaneses, árabes e sírios) que se instalaram na região realizando o ofício pelo qual são famosos no mundo. Inicialmente, eram mercearias, armarinhos e posteriormente lojas de tecidos. Até hoje você pode encontrar lojas e ruas com nomes de famílias ou comerciantes.

Até o famoso clube no meio da Avenida Paulista teve origem nestas comunidades. Hoje a realidade é que a 25 de Março é uma bela mistura de tudo o que se pode imaginar. Mas faça se puder um favor: Árabe é uma palavra complicada, podemos estar falando de um idioma, de um país ou de uma origem étnica (não chamem todos de “turquinhos” mais na 25 de Março…por favor=D). Outra coisa, muitas pessoas que falam árabe não vieram da Árabia e nem toda pessoa que fala árabe é mulçumano.

Ok, mas viemos falar de comida certo?

Tive a chance de acompanhar minha esposa batendo perna pelos quarteirões da região e trago a vocês hoje três restaurantes muito conhecidos e famosos da culinária árabe em São Paulo. Minha intenção, depois de tantos anos visitando-os alternadamente, foi mostrar o que eu acho que é clássico na cidade. Claro que existem outros vários restaurantes de culinária árabe, fique à vontade para comentar mais sugestões lá embaixo!

Restaurante Raful

Este lugar me foi apresentado pelo meu irmão há pelo menos uns 15 anos atrás quando começava a andar pelo centro velho de São Paulo sem nossos pais. Primeiro comentário aos desavisados: SEMPRE estará cheio de final de semana e muitos dias de semana também. É natural da região, não dá para fugir… Assim que você entra dá para perceber que o longo balcão oferece as especialidades típicas: Esfihas, kibes, doces e muito mais.

Sempre vou lá por três coisas, duas delas mostro aqui:

25 de Março_16A primeira é esfiha com massa folheada (de carne ou queijo) e a segunda é a esfiha fechada de escarola (sim, escarola, caso você não esteja acostumado com vegetais cozidos ao vapor dentro de uma esfiha). Vale cada mordida… Outra, peça rápido tudo o que realmente quiser, o balcão fica caótico facilmente e você estará fazendo uma gentileza aos garçons que ficam pra lá e pra cá.

Todas as outras esfihas, SEM exceção, são muito gostosas. A terceira coisa que sempre peço não tinha no dia pois esgotou rápido: Esfiha de Zatar (pronuncia-se zãtar ou zátar). Isso sim, é completamente típico. O Zatar tem um aroma acentuado cítrico e maravilhoso! Se puder, experimente, você também encontra o ingrediente em pó em qualquer empório árabe. Aqui embaixo o hitcombo de esfihas, deem uma olhada.

 

Para terminar, preciso falar dos doces. Para quem conhece, ok, o lugar é para enfiar o pé na jaca e pedir um de cada. Para quem não conhece…Normalmente os doces sírios/árabes são feitos com frutas secas (pistache, damasco, nozes, etc) e notadamente o gergelim na sua forma doce (embora o tahine, a receita salgada de pasta/molho da semente seja super importante também).

Lá você vai encontrar uma variedade bem grande de doces, vou falar de alguns apenas:
Os ninhos, normalmente feitos em formatos circulares com fios de “macarrão” adocicados com um recheio de frutas secas.

Outro tipo comum de doce são as massas folheadas, abaixo temos três exemplos: o da esquerda, aprendi como “corte no dedo”, mas já ouvi serem chamados de baklavá (mas esse nome aparece em restaurantes indianos, gregos e árabes, então como é o doce “antigo”, não entraremos na discussão do nome). O do meio é o ninho de pistaches, bem crocante. O que importa dizer? É BOM, prove!

Por fim, na direita, o fatair, doce de massa folhada mais simples (não tem tantas “folhas”, a massa é mais firme), com receio de ricota. Maravilhoso, prove se puder e tiver espaço no estomago. Normalmente os doces são regados generosamente com uma calda caseira (não é glucose de milho ok?, embora seja bem doce mesmo), feita com água de rosas ou de flor de laranjeira.

Doces-Árabes

Jacob Culinária Árabe

O Jacob é um marco no bairro, tendo uma cara mais antigona mesmo. Se puder, neste caso não fique no balcão, peça uma mesa na área interna do restaurante (eventualmente, você vai acabar dividindo uma mesa com alguém…coisa que não é nada demais, não se acanhe por favor, lembre, comida conecta!)
Pessoalmente prefiro as esfihas do Raful, mas o Jacob tem uma esfiha fechada muito gostosa também, dê uma olhada:

ESFIHA

 

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O tabule, para quem não sabe é uma salada de origem do oriente médio que leva basicamente tomate, trigo, salsinha e hortelã.

O lance do trigo é realmente uma tradição da culinária mundial (não apenas no oriente médio, mas na culinária russa, chinesa, japonesa, entre outras) usar o trigo sarraceno ou mourisco para vários pratos; fato é que historicamente é um grão importantíssimo na alimentação humana.

Você até vai encontrar online receitas de tabule com brocólis…para mim? Ficou bom, manda ver, mas não chame de clássico ou tradicional.

25 de Março_25Agora o arroz com lentilhas: sério, peça se puder. Arroz cozido com um caldo ou apenas com as lentilhas dando um sabor maravilhoso (minha mãe faz uma receita com bacon junto, mas acho que a comunidade islâmica não gostaria desta versão).
As cebolas fritas ficam um pouco amargas e adocicadas, mas isso depende muito da receita de quem faz: se forem empanadas, tendem a ficar mais doces, se feitas diretamente na panela/frigideira, podem amargar um pouco no final, nada pesado, pra falar a verdade é uma delicia.

Monte Líbano

Já ouvi falar na rua e em outras reportagens que este restaurante era o “Terraço Itália da 25”. Fato é o seguinte: ele fica no primeiro andar de um prédio comercial beeem apertado, mas oferece uma vista (normal) da região. Entrando no site deles, você notará que existem 3 unidades em São Paulo mas falaremos apenas da primeira unidade hoje. A história original data de 1973 com a senhora Alice Maatouk trazendo suas receitas familiares para o restaurante.

Começando pelo ambiente, parece realmente a sala de um apartamento antigo da região, um tico apertado, mas com um ótimo pé direito. Escolhi a varanda para desfrutar o almoço e pedi clássicos para fazer jus a tradição culinária.
Deem uma olhada no cardápio abaixo:

monte_libano_6

Acabei variando bem e pedindo o seguinte: Entrada (legumes em conserva), trio de pastas (coalhada seca, homus e babaganush), arroz com lentilha e cebola frita, kafta, fatuche e falafel! Caraca, muita coisa…

Vamos por partes: A entrada em si é simples mas comum na comida árabe, basicamente picles. Agora, as “pastas”, também comum para a região normalmente são comidas com o pão sírio. A colhada seca, normalmente feita com leite integral e sem pressa fica extremamente cremosa, ótimo acompanhamento. O homus é feito basicamente por grão de bico cozido e processado junto com tahine (pasta de gergelim), limão e alho. Pessoalmente gosto do homus com muito azeite.

O babaganoush (já vi escrito baba ghanoush, babaganuj, baba ghannoug e por aí vai…) é uma pasta feita com beringela queimada (na brasa ou no próprio fogo) também misturada com o tahine.
Ambas as receitas são muito antigas, você acaba encontrando em vários países árabes e no mediterrâneo.

monte_libano_3 O fatuche é uma salada que se parece com o tabule, outro prato bem conhecido da culinária árabe; normalmente (no Brasil pelo menos) leva tomates frescos e pepinos em cubos, hortelã, cebola e pão sírio assado (ou pão pita assado). Em alguns lugares, você pode encontrar sementes de romã, rabanete, alface, queijo feta e outros ingredientes. Muito gostoso, refrescante e saboroso.

monte_libano_2

Por fim, arroz com lentilhas e cebola frita (sim, escura assim desse jeito, torradinha) com uma kafta. Essa receita já comentei lá em cima, mas vale a pena pedir com a kafta, muito bem temperada, delicia! Aí do lado desse combo fica o fallafel, outro clássico. Você também vai encontrar essa receita em diversos países e regiões, até com a boa surpresa do Maoz, rede de “fast food” saudável que tem unidade na Rua Augusta, mas também nos EUA, Espanha, França, Holanda e Reino Unido!

Estamos falando basicamente de um bolinho de grão de bico temperado e frito, pronto para ser recheio de um “wrap” (sanduba enrrolado) ou um sanduba roots (coloque tudo o que couber) em pão sírio que leva basicamente vegetais como acompanhamento. Sério, encontrou isso em qualquer restaurante, peça, se bem feito, é maravilhoso!

mix

Veredito? Não gosto de escolher preferidos para comida. Mas vá nos três, tire suas conclusões, aproveite a farofa da 25, faça umas compras ou acompanhe alguém nas lojas até seus pés terem bolhas. Mas conheça este lado da cidade!

Para quem conhece a região, talvez tenha sentido falta de referências aos famosos empórios. Não os esqueci, até por que tenho grande carinho por eles, mas falaremos outro dia de temperos e ingredientes tradicionais.

Espero que você tenha gostado!

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