Rússia – Mitos e Costumes

Rússia – Mitos e Costumes

Sério, a Russia é um dos países do mundo que merecem ser observados. Não apenas ao seu tamanho mas também pela sua importância histórica e cultural. Música, poetas, engenheiros, cientistas no geral, políticos e muito mais. A nossa parte vai falar a respeito de comidas e costumes.

Hoje quem irá colaborar com o Comida Conecta será o Bruno de Toledo de Almeida, irmão do autor desta iniciativa. Além de morar com a esposa, querida cunhada Helen Almeida, em Moscou, ambos são extremamente onívoros e curiosos quando se trata de comida.

Iremos falar deste país continental em dois posts…
O texto abaixo inteiro é de autoria deles, espero que você se divirta!

Falar sobre culinária russa não é uma tarefa fácil por dois fatores. Primeiramente, estamos falando do maior país do mundo e de população e cultura bem diversos. Em segundo lugar, há diversos mitos e estereótipos que circundam tudo o que se refere a Rússia em geral, e a comida não é exceção. Então, decidi escrever sobre alguns mitos que eu tinha na minha cabeça antes de vir para cá há quase três anos.

 

Primeiro Mito – A comida russa é sem graça e sem gosto

É verdade que a culinária russa se baseia em poucos ingredientes e que alguns estereótipos se confirmam: saladas carregadas de maionese e carnes cozidas até o esquecimento realmente existem por essas bandas. Porém, é necessário olhar para a história desse país e desse povo, marcada por repetidas guerras e privações, sem falar no inverno inclemente em boa fração do território.

É uma culinária que precisou se virar com poucos produtos frescos e pequenas quantidades de carne de boi, mas que fez de suas limitações algumas criações sensacionais.

Os russos são mestres em conservar frutas, legumes, verduras e até carne!

Um prato típico é o kholodets, prato de carne conservada em caldo rico em colágeno, o que dá um aspecto de gelatina ao resultado, sempre consumido frio – eu sei que a descrição não é das mais apetitosas e o aspecto não ajuda, mas é uma das minhas comidas preferidas (e já foi assunto de diversas conversas minhas com os russos, que sempre me perguntam “mas você realmente gosta disso?”).

kholodets

Nada é desperdiçado: conservas salgadas de cogumelos, pepinos, tomates, alho, geléias de absolutamente qualquer fruta que você pode imaginar e peixes salgados, defumados e conservados em salmoura abundam em qualquer mercado russo e em qualquer geladeira russa, especialmente durante o outono, quando o frio começa a bater à porta. A banca de conservas do Mercado Danilovsky é sempre uma diversão, a qualquer época do ano.

mercado_

As sopas, presente em todas as mesas em qualquer refeição, também mostram essa “reciclagem” de ingredientes: o borscht (à base de beterraba) e o schi (à base de repolho) utilizam legumes que duram por muito tempo e caldo de carne à base de ossos e cortes baratos. Os pratos a base de carne geralmente usam cortes mais duros, cozidos por muito tempo para render mais e gastar menos – a exceção são os shashlik, espetos de carne assados na brasa.

Um conceito praticado à exaustão pelos russos (e infelizmente esquecido por nós brasileiros) é o de aproveitar a estação: algumas frutas, legumes e verduras têm a sua época e nenhum russo nem sonha em consumi-los fora desse período.

Barracas na rua vendem melões e melancias durante o verão a preços módicos e velhinhas colhem framboesas e cerejas ao aproximar-se do outono e as vendem próximo às estações de metrô. Como resultado, esses produtos estão sempre com o seu melhor gosto possível!

Segundo Mito – Existe uma “culinária russa”

Da mesma maneira que é praticamente impossível falar de uma “culinária brasileira”, a diversidade cultural e populacional da Rússia permite a proliferação de várias culinárias regionais, de acordo com a população, ingredientes e clima.

A região próxima ao Oceano Pacífico (Extremo Oriente e Península de Kamchatka) permite mais pratos com frutos do mar (caranguejo, mariscos), enquanto no Norte aparecem pratos com carne de caça (rena, alce e até urso) e o Lago Baikal fornece aos russos o glorioso Omul, peixe da carne branca que é consumido como iguaria no restante da Rússia, mas faz parte do dia-a-dia da população local.

A preferência dos russos também é fortemente influenciada pelos seus vizinhos, especialmente pelas ex-Repúblicas da antiga União Soviética: pratos como o khachapuri e o khinkali georgianos e o plov usbeque são preferidos de qualquer russo.

O próprio borscht, a sopa de beterraba que quase todo o mundo associa com a Rússia tem a sua origem na Ucrânia, mas se espalhou por toda a Rússia em tempos imemoriais e nenhum russo vai argumentar que não se trata de prato genuinamente russo. Dê uma olhada abaixo o Khachapuri do Café Khachapuri:

hachapuri

Mais abaixo a Carne de Rena e o Omul (quase como um sashimi) do Svinya i Biserum gastropub na cidade de Krasnoyarsk.


Gostou? Ficou com vontade de experimentar ou viajar para lá?
Comenta aí, em breve a gente traz a segunda parte deste post!

Comentários (1)
  • O que eu mais conheço é a sopa borsch, pois faço sempre no inverno com o acompanhamento de creme de leite ou iogurte, além de vodca é claro. Gostaria de saber mais receitas da culinária russa, pois só aprendi a famosa “sopa do povo”, com a minha vó paterna que era imigrante russa, com sobrenome Kupske e que veio para o Brasil, ainda criança, no final do século XIX. Também gostaria de viajar para lá, especialmente fazer o trajeto de trem pela Transiberiana, de Moscou a Vladivostok.

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